Diário da turnê 2010

 

Eram 06:45, quando pontualmente o vôo que me levaria a Recife, partindo de Salvador, ganhou os ares. No curto trajeto de 1 hora, pude relembrar grandes momentos que tive como fã, as oportunidades de estar presente em shows e os momentos nos quais estive com Pal, Morten e Mags. Já hospedado em um dos muitos hotéis da praia de Boa Viagem, tive o prazer de ver nos jornais que o a-ha era o grande acontecimento e a maneira calorosa na qual as emissoras de tv noticiavam o show me trouxe a certeza de que a minha despedida junto ao a-ha seria de maneira grandiosa.

Depois de cumprir obrigações profissionais, telefonei para o amigo Christopher Celayes (de São Paulo) que vinha acompanhando a turnê e depois para o Thiago Lúcio (a-ha Notícias) e parabenizei pela sua participação em reportagens locais (Ver artigo)  e combinamos de nos encontrar no hotel onde o a-ha estaria hospedado (o que acabou acontecendo).

Depois encontrei com o amigo/irmão Christian Lima, os baianos Stephen e Carine, Marcelo, vocalista do a-ha cover de Fortaleza e seu amigo Rômulo e seguimos para o hotel no qual o a-ha estaria hospedado. Através do Christian e do Marcelo, soube que eles ao contrário do que havia sido noticiado, não haviam chegado a Recife no dia 17, então resolvemos arriscar um contato no Hotel.

Após nossa chegada, vimos que o pessoal de apoio e os músicos contratados já estavam em Recife, mas Pal, Morten e Mags ainda não. Com o tempo, outros fãs de forma ordeira foram se juntando a nós, fãs de Pernambuco, Ceará, Paraíba, Piauí, Bahia, Alagoas, São Paulo e até da Argentina! Essa mescla despertou a atenção da imprensa e a afiliada da Globo esteve no local e realizou uma reportagem enaltecendo a importância do a-ha e a mobilização dos fãs. (Ver vídeo)

As horas foram passando e a ausência de notícias, aliado a longa espera, começou a deixar os fãs apreensivos, afinal, já havia passado das 15:30 e a banda ainda teria de fazer a passagem de som. Quando eu já pensava em desistir da espera, notamos a mobilização da segurança na entrada do hotel, sinal de que poderiam estar chegando e foi o que aconteceu. Pal foi o primeiro a surgir, eu fiz um sinal pedindo para que ele permiti-se fotos com fãs e de forma simpática foi concedido.

Finalmente estava conseguindo tirar uma foto com Pal. Já havia conseguido com Mags em Morten em 2002, mas faltava Pal. Logo em seguida Mags chegou e ao contrário do Pal, estava em outra sintonia e preferiu evitar o contato dos fãs. Infelizmente os seguranças  interromperam Pal e o levaram para o elevador, frustando muito dos presentes, pois até a chegada da banda em Recife, o que se via na internet era que a banda estava acessível a quem tentou contato e senti pelos que naquele momento não conseguiram realizar o sonho. Resolvemos esperar pelo Morten, mas começaram a surgir informações desencontradas, de que ele havia entrado no hotel por uma via alternativa, quando na verdade naquele momento ele estava sendo atendido por um médico para tratar do seu problema na garganta. (Ver artigo)

Resolvi me despedir do pessoal porque já estava ficando tarde e não seria viável arriscar enfrentar problemas no trânsito. Segui junto com o Christian e o Christopher para o hotel e de lá fomos para o Chevrolet Hall. Apesar do trânsito intenso, não tivemos problemas para chegar ao nosso destino e me chamou a atenção a grande movimentação em torno do local do show, imagem na qual me fez lembrar o show de 1991 em Salvador.

Com todos os 18.000 ingressos vendidos, uma multidão foi prestigiar a despedida do a-ha.

Na fila, encontramos com outros fãs que conhecíamos através da internet (Quirino, da Paraíba, André Luís, de Natal) e o grande Erisson, que esteve conosco em 2002 na recepção ao a-ha em Guarulhos.

 

Próximo de ingressarmos ao Chevrolet Hall, fomos brindados com uma chuva passageira, mas suficiente para dar trabalho em proteger a máquina fotográfica. A pista premium possuía um espaço generoso, permitindo a mobilidade das pessoas sem transtornos, o que facilitou muito o registro das fotos.

Como a turnê estava seguindo o padrão da pontualidade, nos preocupamos com o atraso, seria algum problema com Morten? Após uma breve ansiedade, as luzes se apagam e a música instrumental eleva o ânimo de todos e a introdução de The Bandstand leva o público ao delírio. O a-ha acertou em cheio na escolha da música, foi executada de forma muito vibrante e sem dar tempo para descanso, começaram a Foot of the Mountain . Na execução desta música, Christopher e Christian me comentaram que o problema dele se agravou (eles vinham acompanhando a turnê e estiveram em Brasília). Eu disse então que eles deveriam então tirar do repertório as músicas Summer moved on e Scoundrel days ou substituir por Early morning e you are the one, já que ambas foram executadas no formato acústico e seria menos puxado para Morten. Acabou acontecendo em parte a primeira opção, com a exclusão de Summer moved on. Então surgiram Analogue e Forever Not Yours . Uma coisa que eu sempre quis que o a-ha fizesse foi realizado nessa turnê, com Morten tocando algum instrumento em algumas músicas.

A essa altura era visível o esforço que o Morten estava fazendo para dar prosseguimento ao show. Enquanto isso, víamos um Pal tocando de forma muito mais vibrante que o habitual, pulando e fazendo mais segunda voz, enquanto o Mags mantinha a criatividade de sempre, interagindo com os fãs e também dando um reforço na segunda voz. Na hora de começar a música Minor Earth Major Sky, Morten explica ao público os problemas que eles estava enfrentando e pedindo ajuda. Não era preciso pedir, e uma coisa a ser enaltecida é a cumplicidade dos fãs e a compreensão que todos tiveram e se as músicas já eram festejadas com intensidade desde os primeiros acordes, a vibração ficou ainda maior, uma coisa emocionante. Ao ver a nova versão dada para a música Minor Earth Major Sky, percebemos a habilidade que a banda tem em se reinventar e proporcionar novas possibilidades. Quem foi a mais de uma turnê do a-ha pode comprovar como eles transformam a forma de executar as canções. Para minha surpresa, Move to Memphis foi recebida como um dos maiores clássicos do a-ha na noite. The Blood That Moves The Body, Stay on These Roads e The Living Daylights foram arrebatadoras. Clássicos consagrados, aliados as belíssimas imagens do painel do palco, levou os fãs ao êxtase. Quando se tem um repertório como do a-ha, é difícil não se contagiar. Após muita vibração com as músicas já citadas, Crying in the rain é executada. Não há muito o que dizer, apenas lamentar que esta seja a última turnê do a-ha e certamente muitos tiveram a vontade de chorar nesse momento.

Quando começou Scoundrel Days eu não acreditei! O Morten enlouqueceu?? Pois é, acho que ele não queria que os fãs de Recife fossem prejudicados pelo seu problema e nessa música foi um dos momentos mais emocionante, pois na hora do refrão, o público berrava “And seeee” e Morten corria pelo palco, de um lado a outro, ia de encontro aos fãs, tentava de alguma maneira agradecer ao que os fãs faziam por ele naquele momento. Manhattan Skyline dessa vez não teve o magaphone e na hora do “wave goodbye” me lembrei das pessoas que eram fãs e não estão mais entre nós, foi doloroso. I´ve been losing you veio em seguida, mas a minha alegria se completou com We’re looking for the whales. Não imaginava que um dia pudesse ver essa música num show e a instrumental foi precisa.

O que eu mais poderia querer a essa altura do campeonato? Estava eu sonhando? O ano de 2010 tem sido maravilhoso para mim. Primeiro sou abençoado com o nascimento de Lara, minha princesa que tomou conta de meus pensamentos e emoções. Depois, consegui reunir velhos amigos e retomar com a minha banda e de repente, quando tudo indicava que eu estaria fora da turnê, um compromisso profissional me levou a Recife no dia do show! Sim, o show não havia acabado ainda e a primeira parte se encerra com Cry wolf.

Com o bis vieram as poderosas Hunting high and low, The sun always shines on tv e Take on me. É chover no molhado dizer que o fim do show foi apoteótico, porque a tônica do a-ha em Recife foi de um reconhecimento de todos (mídia em geral e público) da importância do a-ha para a música mundial e como fã de longa data, veio o sorriso de que no final o bem vence e o a-ha foi vitorioso.

Na saída do show, alguns fãs se organizavam com o intuito de ir ao hotel do grupo, porém eu, Christian e Christopher resolvemos que não iríamos, pois entendíamos que o a-ha precisava de sossêgo, principalmente Morten que precisaria de repouso para encarar a despedida em Fortaleza. Com a adrenalina alta, e a saudade de minha princesinha, demorei para dormir.

Amanhecendo o dia, um breve passeio pela praia da Boa Viagem e a lembrança da música Hurry Home veio em mente. Isso sempre acontece quando estou encerrando uma viagem. Fui para o aeroporto com o Christian, pois teríamos vôos em horários semelhantes, só que ele iria para Fortaleza e eu para Salvador.

Após eu confirmar minha passagem, ouço uma recepcionista falar “nossa, o a-ha! Fui ver eles em São Paulo”. Olhando para trás, constatei a presença de Pal e dos músicos que acompanham a banda. Cheguei junto a Pal e perguntei se poderia registrar aquele momento. Novamente muito agradável, ele deu ok e o Christian bateu a foto. 

Logo em seguida eles perguntaram se sabíamos falar inglês, porque eles estavam em dúvida sobre o local para onde deveriam ir. Christian se prontificou em auxiliar e para a surpresa nossa, eles embarcariam no mesmo vôo do Christian para Fortaleza. Eles seguiram para o guichê e em seguida surge Mags.

No aeroporto ele estava muito mais acessível e atencioso do que no hotel e registramos esse momento. Alguns minutos depois outras pessoas começaram o assédio e a empresa aérea providenciaram a passagem do grupo para a área de embarque. Soubemos nesse momento que Morten iria num vôo mais tarde. Já estava se aproximando da hora do embarque e reencontrei com Christopher, que também iria para Fortaleza, só que num vôo mais tarde.

Nos despedimos e ficamos eu, o Cristian, o Fernando (de Alagoas) e mais uma outra fã também de Alagoas (esqueci o nome) próximos ao grupo, na área de embarque mas não tiramos mais fotos nem invadimos a privacidade deles, não havia motivos, tudo tem sua hora e inconvenientes não é bom para ninguém.

Me despedi do Christian desejando uma ótima jornada e fiquei no aguardo do meu vôo. Na sacola, trazia lembranças de Recife para meus amores, Luz e Faról (Nine & Lara), reportagens de jornais sobre o show, a bandana comemorativa adquirida no Chevrolet Hall e a satisfação de poder ter tido a oportunidade de estar presente na derradeira turnê.

Para sempre ficaram as memórias dos shows (1991, 2002, 2009 e 2010), das amizades construídas e solidificadas a partir do a-ha e a certeza de que valeu a pena todas as aventuras!

Fotos do show podem ser vistas no nosso 4Shared:

a-ha Bahia 4shared

5 Respostas para “Diário da turnê 2010

  1. Minha sinceras felicitações pelas suas a-haventuras. Estas serão perpetuadas e lembradas com cada vez mais intensidade, regozijo. Já faz parte de sua história, Aloísio. As fotos estão lindas, o público nordestino tem uma energia única, contagiante e nunca visto em nenhum outro lugar do mundo! Eu não deixei esse momento passar também – fiz o que esteve em meu alcance e o a-ha é o tesouro de minha vida. Não dá para explicar o que se passa na cabeça e no coração.

  2. Eu aqui relendo suas matérias e relembrando as aventuras que vivemos com o a-ha. Para sempre nas nossas lembranças. Ah hoje me deu nostalgia e muitas saudades de tudo isso, Chega logo A-ha!!

  3. Pingback: Recife recebe o a-ha de braços abertos! | a-ha Bahia·

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