“Dentro da mente do a-ha”

É sobre a tentativa de não soar como velhos. Trata-se de não ficar envergonhado com os anos 80.Trata-se da “libertação das qualidades de Morten Harket”.

Aqui,a-ha aponta seus próprios movimentos(pulsos), em 2009.

COLOGNE (Dagbladet): Um orgulho nacional.Uma exportação de artigos ao longo de muitos anos.Pioneiros dos vídeos.Ídolos adolescentes. Uma grande influência em toda a geração que cresceu nos anos 80.A fortaleza de três grandes egos. E apresentando um homem de físico surpreendente, que improvisa contemplações filosóficas logo que possue um microfone em sua frente.

Esta é grande parte da imagem que foi criada – e continua em destaque – no a-ha para o  público ao longo dos últimos 25 anos.Não é nenhum exagero dizer que a música do a-ha tem sido sub-relatada e sub – analisada durante o mesmo período de tempo. Mas porquê?

É por que é sempre muito mais engraçado publicar todas as declarações estranhas que Morten Harket diz sem constrangimento nas entrevistas?

É por que a música se tornou uma coisa secundária, algo que nós estamos relevando em nosso culto ao a-ha como celebridades, ou somente os consideramos como as melhores e reais estrelas da música pop?

Nós simplesmente teremos de esquecer de fazer perguntas sobre o sentido das músicas e seria mais interessante perguntar sobre dietas de pão espelta,os bíceps do Morten, o uso de laxantes do Mags,e sua amizade com os integrantes do Coldplay, e a vida de Paul e sua família no seu apartamento em Manhattan?

Com o próximo álbum Foot of the Mountain algo está finalmente acontecendo na música do  a-ha novamente. Você pode ouvir uma batalha em curso entre a maturidade , e a majestosa versão pop do a-ha que tem sido estabelecida desde a volta em 2000(representada pelo single “Foot Of The Mountain”, entre outros) e uma outra versão do a-ha que está mais uma vez brincando com sua própria herança do synth pop, herdada dos primórdios da banda. (“Riding The Crest”, “What There Is”). Uma batalha entre um confortável e amigável reconhecimento e uma vontade de sacudir uma sonolência estabelecida. Foot Of The Mountain representa a confrontação com uma era, e a reconciliação com uma outra era.Mas porquê agora? E quem tem pressionando para que estas alterações aconteçam?

Se nós formos considerar o a-ha como o orgulho cultural da nação, essa é uma mudança musical muito interessante. E eles, – os compositores – Paul Waaktaar-Savoy e Magne Furuholmen – terão a chance de falar sobre isso, sem nenhuma interferência, aqui e agora. Completamente vazia de declarações filosóficas diretas.

Dagbladet: Por que retornar aos sintetizadores?

Magne Furuholmen: Isso é algo que eu realmente queria fazer. Inteligente synthpop, atmosférico e importante – esse era um som que nós ajudava a criar. Mas eu tenho lutado arduamente por ele. “Foi tão embaraçoso voltar ao passado,por que fazer isso novamente?” Mas foi tudo em torno dele que foi embaraçoso, não a música em si.

Paul Waaktaar-Savoy: – Todos nós queríamos fazer isso, nós estávamos prontos para algo mais tecnológico agora. Mas, para mim, era mais fácil dizer do que fazer. O som pode facilmente tornar-se banal, mais do que Kylie Minogue e Depeche Mode. Eu extraí os sintetizadores antigos e tentei torná-los atuais, mas acabei buscando ajuda com a parte de programação.Nós experimentamos/tentamos muitas coisas diferentes durante essas gravações,e houveram alguns momentos de pânico total Você pode tocar com as coisas que você tem feito antes, mas isso tem que soar moderno, Mas nós também também aplicamos algumas limitações interessantes desde o início. Como por exemplo,não ter permissão para reproduzir cordas, tudo deve ser um riff, e trabalhamos assim com oito músicas. Isso poderia ser uma técnica/dogma fecunda(o).

Furuholmen: – Eu originalmente queria que o albúm fosse chamado Digital, contrastando com o nosso último álbum Analogue.Nós não temos mais 20 anos mas nós não temos que soar como velhos.Eu não quero aceitar isso. Eu realmente queria ter nos inserido ainda mais na pura direção do synth.Essa teria sido uma declaração mais clara. Se dependesse de mim, não teríamos qualquer arranjo de corda no álbum inteiro,por exemplo. Mas é óbvio que não posso decidir tudo sozinho nesta banda.

Dagbladet: Então, quem decide?

Waaktaar-Savoy: – É difícil compor junto com alguém, compor é um processo interno, e não externo.E compor e gravar são duas coisas completamente diferentes. Você pode “ouvir” como uma música deve soar quando você a escreve, e você está sempre perseguindo esse sentimento depois. É como poker. Você está jogando e blefando tão bem quanto você pode. E  você que continuar jogando, mas você tem que dobrar. E é muito difícil de ver uma canção ser completamente mudada e perder suas características através do processo de gravação e produção.Ela passará por uma série de mudanças antes de ser concluída. E é frustrante se você acaba gostando menos da edição final. As vezes dá a impressão de que a música teve todos os seus dentes arrancados. Nós provavelmente poderíamos ter feito tudo sozinhos,sem nenhum produtor, mas eu acho isso que teria  abaixado cada uma das tampas das  nossas expectativas por cerca de 10 anos.

Furuholmen: – Há muitas vontades fortes e ambições diferentes nessa banda.Você precisa ter a marreta nas mãos, e lutar por aquilo que você acredita. Você tem que lembrar que nós somos amigos de infância, então aquela injustiça(falta) no campo de futebol cravada no tempo em que éramos crianças ainda é uma parte da sua bagagem. Não há razões para romantizar os conflitos como uma força criativa, ou fazer disso algo mitológico. Há um limite para tudo, e nós também temos de tentar apoiar um ao outro.E o único que nós não podemos manter fora da equação da banda é Morten Harket.Ele é incrivelmente importante para a nossa música. Paul e eu temos que aceitar isso.Nossa tarefa nessa banda, e a chave da grandeza do a-ha, é liberar as qualidades do Morten.

Dagbladet: Então, como usar o Morten Harket?

Furuholmen: – A arrogância do Morten, e o seu modo de agir pode tornar-se esmagador. Empurrando ele na direção do rock, ele não necessariamente que trabalhar. Morten como um rockeiro, merece uma certa credibilidade,ele carece de 60 cigarros por dia, e é alcoolico. Em uma colocação orquestral isso tende a acabar como Schmaltzy, torna-se ópera. Mas é exatamente distanciado dessa paisagem, no synth que ele é perfeito. Morten é uma arma fantástica de ter no seu arsenal. Mas ele tem de ser usado da maneira certa.

Waaktaar-Savoy: -A voz do Morten se encaixa nesse ambiente. E eu acho que ele se sente mais à vontade nele. Na canção “Shadowside” há uma série de cinco chaves vocais diferentes, e alguns outros vocalistas seriam capazes de arruinar a música. Quando estou escrevendo especificamente para o a-ha, eu sei o que tenho que trabalhar com o vocal, quem eu posso confiar  irá conseguir .

Dagbladet: E todos podemos concordar que ela tem sido uma boa viagem?

Waaktaar-Savoy:  Isso se tornou um álbum, que esperamos que seja bastante apreciado por todos.

Furuholmen:Foot Of The Mountain é um álbum que deixa sua marca de uma boa forma,há mais vitalidade nele do que houve em um longo tempo de carreira. O álbum pode ser ouvido quase como uma homenagem à idéia original do a-ha.

Dagbladet: E o que o próprio Morten Harket acha?

Morten Harket – Tem sido um chute. Este álbum representa uma clara decisão quando se trata de escolher uma direção específica. Temos tentado nos limitar e voltado para a sólida base do som do synth. Essa tem sido uma coisa maravilhosa para fazer. Vejo isso como uma revitalização de nós como banda.

Este artigo apareceu em Dagbladet, 5 de Junho de 2009.
Texto: Sven Ove Bakke.
Foto: K. Gaare Gorm.

O artigo original pode ser encontrada aqui here.

Obrigado a Fernanda Feer e Débora Arécio pela Preciosa entrevista!

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